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dc.contributor.authorMachado, Letiane de Souza-
dc.typeDissertação de Mestradopt_BR
dc.titleDo bem-me-quer às novas margaridas : a agroecologia que colhe o futuro e aduba o protagonismo feminino em uma região fumageira.pt_BR Cruz do Sulpt_BR
dc.contributor.advisorGarcia, Edna Linhares-
dc.contributor.advisorcoPetry, Analídia Rodolpho- de Pós-Graduação em Promoção da Saúdept_BR
dc.description.abstractTo be a woman is to be born marked by a social norm, even before understanding or developing critical capacity, it is having your existence linked to the feminine, to care, to the home. When looking at the country woman, her reality does not deviate from the standard, hard work is called "help" and her recognition of "invisible". In agroecology, women are pioneers in the installation of vegetable gardens for the family, however it is common for men to assume the sale of surpluses and manage family income. This structure keeps rural women restricted to the domestic environment, contributing to the invisibility of their work and less participation in society. In contrast, social movements have been articulating for 20 years in the struggle for gender equity and fair food production, which respects nature, people and life, with agroecology being pointed out as a perspective for the future. In 2020, with the COVID-19 pandemic, agroecology gained prominence, since the large long-chain food industries were unable to meet the population's demands for food, highlighting the need to encourage local production, independent of agrochemicals and industrial inputs. and that conserve nature and its resources. This dissertation aims to analyze the meanings produced in the narratives of young women about their motivations for agroecological production and the transformations of the roles attributed to women in the countryside, from the perspective of autonomy, freedom and health, as well as reflecting on the socioeconomic impacts of the COVID-19 pandemic, hunger and food and nutritional insecurity, drawing a counterpoint with agroecological practices and their perspectives in Brazil and on the world stage. MANUSCRIPT I - WOMEN AND AGROECOLOGY IN BRAZIL: A BIBLIOMETRY OF SIXTEEN YEARS OF HISTORY: In this article we aim to map the literature on women in agroecology and its bibliographic indicators. Bibliometric, descriptive study with quantitative analysis. The search took place on 4 bases, with the descriptors "woman" and "agroecology", resulting in 82 works. In 2013, there was an increase in publications, with a drop in 2019. The role of female authors was evident (81.74%). Only 6 authors published more than one work in the area. Of the 21 articles published in scientific journals, 1/3 were concentrated in the same journal, pointing to the University of Santa Catarina as the research front. The results point to the dispersion and discontinuity of authorship, suggesting the need to create durable research centers. MANUSCRIPT II - THE FLOWERING OF NEW MARGARIDAS: AGROECOLOGY, EDUCATION AND HEALTH: This article aims to analyze, in the narratives of young farmers, agroecological the influence of rural education, generational transformations in gender relations, and their perceptions about agroecology. The analyzed data resulted from qualitative research, in which 5 young women members of agroecological movements were interviewed in the Vale do Rio Pardo, Rio Grande do Sul, Brazil. The recordings and transcriptions were submitted to Thematic Analysis. As a result, rural education, especially when guided by agroecology, stood out in the development of more egalitarian and autonomous communities. It can be seen that the insertion of the interviewees in the agroecological movement opened a space for questioning and changes in the family structure. This new generation of women tensions culturally established gender relations, especially about property management and division of tasks. Women were identified as pioneers of organic production, which, even if not named, has always been a practice transmitted in a transgenerational way. It was found that subsistence gardens expand autonomy, guarantee food and nutritional security, and are a health promotion device. These aspects were also attributed to agroecology, which was recognized in its broad sense. Thus, not being restricted to the status of science or ideology, but of a way of life that respects generations, health and nature. Finally, it was concluded that rural education, together with agroecological precepts, contributes to the process of empowerment and transformation of rural women's ways of life. MANUSCRIPT III - COVID-19 AND HUNGER: REFLECTIONS ABOUT AN AGROECOLOGICAL FUTURE: The Covid - 19 pandemic had a major impact on society and the economy, stripping the faces of inequality in Brazil, and tracing a path towards hunger and food and nutritional insecurity. Since February 2020, the notification of the first case in the country, social isolation and lockdown measures have increased as unemployment and discouragement rates, as well as the closing of local fairs, which granted access to fresh food to the peripheries, raising the price of food. fresh and increase consumption of industrialized products. These questions reflect on the fragility of the production and consumption chains, which are dependent on external inputs and transport infrastructure. From the perspective of a subsidiary to fight hunger, access to food and changes in the logic of food production, this text discusses the potential of agroecological practices in this context, understanding that agroecology has in its principles freedom, autonomy and health, dialoguing with concepts of food sovereignty and the struggle for equity. CONCLUSIONS: Agroecology presented itself as a tool for political questioning and economic, social, and cultural relations. Due to its transformative character, its definition was not restricted to the status of science or ideology, but as a way of life that respects generations, health and nature. For women, rural education and insertion in agroecological social movements conferred criticality and empowerment. In the statements, the farmers recognized themselves as protagonists of the agroecological transition, presented themselves as questioners of gender relations in society, and reported the confrontations for changes in family social structures. The subsistence gardens, which they cultivate, are a device for expanding autonomy, guaranteeing food and nutritional security, and promoting health. Based on theoretical reflections, agroecology was understood as a potent strategy for overcoming the food crisis resulting from the COVID-19 pandemic, and for structuring an agrifood system with a more resilient, diverse, and equitable profile.pt_BR
dc.description.notaInclui bibliografia.pt_BR
dc.subject.otherEcologia agrícolapt_BR
dc.subject.otherAgricultura familiarpt_BR
dc.subject.otherMulheres na agriculturapt_BR
dc.subject.otherSegurança alimentar e nutricionalpt_BR
dc.subject.otherInfecções por Coronaviruspt_BR
dc.identifier.uri de Santa Cruz do Sulpt_BR
dc.description.resumoINTRODUÇÃO: Ser mulher é nascer marcada por uma norma social, mesmo antes de entender ou de desenvolver capacidade crítica, é ter sua existência ligada ao feminino, ao cuidado e ao lar. Ao olhar para a mulher do campo, sua realidade não foge ao padrão, o trabalho árduo ganha o nome de "ajuda", e seu reconhecimento de "invisível". Na agroecologia, as mulheres são pioneiras na instalação de hortas para alimentação da família, contudo é corriqueiro que o homem assuma a venda dos excedentes e gerencie a renda familiar. Essa estrutura mantém a mulher rural restrita ao ambiente doméstico, contribuindo para invisibilização de seu trabalho e uma menor participação na sociedade. Em contraponto, os movimentos sociais se articulam há 20 anos na luta pela equidade de gênero e uma produção de alimentos justa, que respeite a natureza, as pessoas e a vida, sendo apontada a agroecologia como uma perspectiva para o futuro. Em 2020, com a pandemia de COVID-19, a agroecologia ganhou destaque, uma vez que as grandes indústrias alimentícias de cadeia longa não conseguiram suprir as demandas populacionais por alimentos, evidenciando a necessidade do fomento às produções locais, independentes de insumos industriais e que conservem a natureza e seus recursos. A presente dissertação objetiva analisar, nas narrativas de jovens mulheres, as motivações para a produção agroecológica e as transformações dos papeis atribuídos à mulher camponesa, sob o olhar da autonomia, da liberdade e da saúde. Objetiva-se também refletir sobre os impactos socioeconômicos da pandemia de COVID-19, na fome e na insegurança alimentar e nutricional, traçando um contraponto com as práticas agroecológicas e suas perspectivas no Brasil e no cenário mundial. ARTIGO I - MULHER E AGROECOLOGIA NO BRASIL: UMA BIBLIOMETRIA DE DEZESSEIS ANOS DE HISTÓRIA: Nesse artigo objetivamos mapear a literatura sobre a mulher na agroecologia e seus indicadores bibliográficos. Trata-se de um estudo bibliométrico, descritivo, com análise quantitativa. A busca se deu em 4 bases, com os descritores ?mulher? e "agroecologia", resultando em 82 trabalhos. Em 2013 houve crescimento das publicações, com queda em 2019. A predominância de autoras (81,74%) demonstra uma busca por evidenciar o protagonismo feminino nos movimentos agroecológicos, bem como na ciência. Somente 6 autoras publicaram mais de um trabalho na área. Dos 21 artigos em revistas científicas, 1/3 estava concentrado no mesmo periódico, assinalando a Universidade de Santa Catarina como frente de pesquisa na temática. Os resultados apontam para a dispersão e descontinuidade das autorias, sugerindo a necessidade da criação de redes de estudos e pesquisa de referência. ARTIGO II - O FLORESCIMENTO DE NOVAS MARGARIDAS: AGROECOLOGIA, EDUCAÇÃO E SAÚDE: Esse artigo objetiva analisar, nas narrativas de jovens agricultoras, agroecológicas a influência da educação rural, as transformações geracionais nas relações de gênero e suas percepções sobre a agroecologia. Os dados analisados resultaram de uma pesquisa qualitativa, na qual foram entrevistadas 5 jovens mulheres integrantes de movimentos agroecológicos no Vale do Rio Pardo, Rio Grande do Sul, Brasil. As gravações e transcrições foram submetidas à Análise Temática. Como resultados, a educação rural, em especial quando atravessada pela agroecologia, apresentou destaque no desenvolvimento de comunidades mais igualitárias e autônomas. Pode-se observar que a inserção das entrevistadas no movimento agroecológico abriu um espaço de questionamento e de alterações na estrutura familiar. Essa nova geração de mulheres tensiona as relações de gênero culturalmente estabelecidas, principalmente em relação a administração das propriedades e divisão de tarefas. As mulheres foram apontadas como pioneiras da produção orgânica, a qual mesmo não nomeada, sempre foi uma prática transmitida de forma transgeracional. Constatou-se que as hortas de subsistência ampliam a autonomia, garantem a segurança alimentar e nutricional e são um dispositivo de promoção da saúde. Esses aspectos também foram atribuídos a agroecologia, a qual foi reconhecida em seu sentido amplo. Assim, não se restringindo ao status de ciência ou ideologia, mas de um modo de vida que respeita as gerações, a saúde e a natureza. Por fim, concluiu-se que a educação rural, em conjunto com os preceitos agroecológicos, contribui no processo do fortalecimento da autonomia e da transformação dos modos de vida da mulher rural. ARTIGO III - COVID-19 E A FOME: REFLEXÕES SOBRE UM FUTURO AGROECOLÓGICO: A pandemia de COVID-19 gerou grande impacto sobre a sociedade e a economia, desnudando as faces da desigualdade no Brasil, e traçando um caminho em direção a fome e a insegurança alimentar e nutricional. Desde fevereiro de 2020, com a notificação do primeiro caso no país, as medidas de isolamento social e lockdown aumentaram as taxas de desemprego e desalento. Assim como, levaram o fechamento de feiras locais, que concediam acesso aos alimentos frescos às periferias, além da elevação do preço dos gêneros in natura e o aumento do consumo de produtos industrializados. Dessas questões, emerge a reflexão sobre a fragilidade das cadeias de produção e consumo, que são longas, dependentes de insumos externos e de infraestrutura para o transporte. Na perspectiva de subsidiar estratégias de enfretamento à fome, acesso a comida e mudanças na lógica da produção alimentícia, esse texto disserta sobre a potencialidade das práticas agroecológicas nesse contexto, entendendo que a agroecologia tem em seus princípios a liberdade, autonomia e saúde, dialogando com os conceitos de soberania alimentar e de luta pela equidade. CONCLUSÕES GERAIS: A agroecologia se apresentou como uma ferramenta de questionamento político e das relações econômicas, sociais e culturais. Devido ao caráter transformador, sua definição não se restringiu ao status de ciência ou ideologia, mas como um modo de vida que respeita as gerações, a saúde e a natureza. Para as mulheres, a educação rural e a inserção em movimentos sociais agroecológicos, conferiu criticidade e autonomia. Nas falas, as agricultoras se autorreconheceram como protagonistas da transição agroecológica, se apresentaram como questionadoras das relações de gênero na sociedade e relataram os enfrentamentos para a modificações nas estruturas sociais familiares. As hortas de subsistência, cultivadas por elas, são um dispositivo de ampliação da autonomia, garantia da segurança alimentar e nutricional e de promoção da saúde. A partir de reflexões teóricas, a agroecologia foi compreendida como potente estratégia para a superação da crise alimentar decorrente da pandemia de COVID-19, e para a estruturação de um sistema agroalimentar com perfil mais resiliente, diverso e equitativo.pt_BR
dc.description.protocolo3.796.909 Data: 09/01/2020pt_BR
Aparece nas coleções:Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde - Mestrado e Doutorado

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