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http://hdl.handle.net/11624/3962
Autor(es): | Stavizki Junior, Carlos |
Título: | Sofrimento social e racionalidade neoliberal : contextos, instituições e atores das políticas de prevenção do suicídio no Estado do Rio Grande do Sul - Brasil. |
Data do documento: | 2025 |
Protocolo CEP: | CAAE: 65574722.1.0000.5343 Parecer: 5.881.658 Data: 08/02/2023 |
Resumo: | Esta tese de doutorado em Desenvolvimento Regional resulta de um processo investigativo sobre a formação discursiva do fenômeno do suicídio e sua prevenção, dentro do contexto de hegemonia do neoliberalismo como organizador dos territórios. O estudo analisou os discursos ligados ao reconhecimento do suicídio como um problema socioterritorial no Estado do Rio Grande do Sul e seus desdobramentos políticos, econômicos e ideológicos. Trabalhou-se com a hipótese de que a razão instrumental organiza as ações de atores e instituições responsáveis pela criação e execução de estratégias de prevenção do suicídio, baseadas em normas sociais pouco discutidas na esfera pública, como protocolos de atendimento e indicadores epidemiológicos. No entanto, foram identificados discursos não-hegemônicos ligados ao tema, com significados de resistência à racionalidade neoliberal e ao agir instrumental. Esta descoberta possibilitou reconhecer a razão comunicativa nas ações de sujeitos que entendem o suicídio como um problema socioterritorial e oferecem soluções vinculadas ao mundo da vida, como o fortalecimento das relações sociais e comunitárias e a busca pelo bem-estar social. A hipótese central foi a de que o reconhecimento do sofrimento social está atrelado aos processos sócio-históricos de formação dos territórios e que sua racionalização depende da capacidade da esfera pública de construir consensos. Foram realizadas 36 entrevistas com atores sociais relevantes no debate público sobre o tema, que ocupam ou ocuparam posições estratégicas na criação de políticas públicas, em suas respectivas escalas territoriais de atuação. A pesquisa mostrou que o território gaúcho possui ativos para promover o agir comunicativo na prevenção do suicídio, sendo esse sentido manifestado na proposição de alternativas à clínica do suicídio e no reconhecimento das subjetividades do sofrimento humano. No entanto, o avanço da racionalidade neoliberal no âmbito das relações sociais tende a apagar o sentido de crítica da ideação suicida, fortalecendo explicações individualizantes e excluindo os determinantes sociais do sofrimento. Conclui-se que, para reduzir a influência do neoliberalismo nas ações de prevenção do suicídio, as campanhas e políticas devem usar uma linguagem comum ao território, com argumentos que façam sentido para atores e instituições e que dialoguem com as demandas emergentes do mundo da vida. Uma comunicação adequada, aliada a um diálogo aberto e sem barreiras, possibilita a criação de novas alternativas de ação social, enfrentando assim um dos fenômenos mais impactantes de nosso tempo. |
Resumo em outro idioma: | This doctoral thesis in Regional Development results from an investigative process into the discursive formation of the phenomenon of suicide and its prevention within the context of the hegemony of neoliberalism as the organizer of territories. The study analyzes the discourses linked to the recognition of suicide as a socio-territorial problem in the state of Rio Grande do Sul and its political, economic, and ideological consequences. The hypothesis was that instrumental reason organizes the actions of actors and institutions responsible for creating and implementing suicide prevention strategies, based on social norms that are rarely discussed in the public sphere, such as care protocols and epidemiological indicators. However, non hegemonic discourses were identified, with meanings of resistance to neoliberal rationality and instrumental action. This discovery enabled the recognition of communicative reason in the actions of individuals who view suicide as a socio-territorial problem and offer solutions rooted in the world of life, such as strengthening social and community relationships and seeking social well-being. The central hypothesis was that the recognition of social suffering is linked to socio historical processes of territorial formation, and that its rationalization depends on the capacity of the public sphere to build consensus. Thirty-six interviews were conducted with key social actors in the public debate on the topic, who occupy or have occupied strategic positions in the creation of public policies at their respective territorial scales of action. The research showed that the territory of Rio Grande do Sul has assets to promote communicative action in suicide prevention, with this meaning manifested in proposing alternatives to the clinical approach to suicide and recognizing the subjectivities of human suffering. However, the advance of neoliberal rationality in the realm of social relations tends to erase the critical meaning of suicidal ideation, reinforcing individualizing explanations and excluding the social determinants of suffering. It is concluded that, to reduce the influence of neoliberalism on suicide prevention actions, campaigns and policies should use language that is common to the territory, with arguments that make sense to actors and institutions and that engage with the emerging demands of the world of life. Adequate communication, combined with open and barrier-free dialogue, enables the creation of new alternatives for social action, thus addressing one of the most impactful phenomena of our time. |
Nota: | Inclui bibliografia. |
Instituição: | Universidade de Santa Cruz do Sul |
Curso/Programa: | Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional |
Tipo de obra: | Tese de Doutorado |
Assunto: | Suicídio Suicídio - Prevenção Política pública Desenvolvimento social |
Orientador(es): | Etges, Virgínia Elisabeta |
Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Mestrado e Doutorado |
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