Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11624/3972
Autor(es): Guimarães, Veridiana de Souza
Título: A enxada e a caneta : uma pesquisadora do interior em seu compreender-se mediadora de leitura.
Data do documento: 2024
Protocolo CEP: Parecer: 5.168.107 Data: 15 de dezembro de 2021
Resumo: Este estudo, que iniciou pela minha vontade de auxiliar jovens da minha comunidade, através da leitura de obras literárias, a terem um primeiro contato com as teorias feministas bem antes do contato que eu tive, somente na pós-graduação, compreende também o meu processo de "dar-se conta" de que a mediação de leitura não é praticada apenas com o meu querer e pelo ato de apresentar livros aos alunos. No trabalho ousei, pela primeira vez, em meio a erros e acertos, experienciar as funções do profissional mediador por meio do projeto que chamei de "Jovens leem o mundo: desigualdade de gênero e seus desafios" para falar sobre desiguadade de gênero. Estive junto de uma turma de jovens estudantes do 9º ano do ensino fundamental, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Coronel Thomaz Pereira, escola da localidade onde resido, Linha Taquari Mirim, interior da cidade de Venâncio Aires, estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Por meio desse projeto, durante dez dias, eu e mais 17 alunos vivemos, conversamos, perguntamos, compartilhamos e lemos textos literários de diferentes gêneros. Através das interpretações, do relato de opiniões e de experiências dos participantes sobre o que é ser mulher e o que é ser homem no lugar onde vivem e da minha primeira experiência em mediar leituras, descrevo, ao longo do texto, as vivências resultantes de uma aprendizagem conjunta, minha e dos alunos. Junto a isso, também resgato, de modo breve, aspectos históricos da escola participante do projeto, e por consequência, da comunidade onde ela está inserida. Suzana Albornoz (2008),Virginia Woolf (2014), Antonio Candido (1995), Silvia Castrillón (2011), Teresa Colomer (2007), Graciela Montes (2020), Michèle Petit (2010), Eliana Yunes (2023), Cecília Bajour (2023) e Felipe Munita (2024) foram alguns dos nomes que auxiliaram a refletir sobre desigualdade de gênero, leitura, literatura e mediação durante esse percurso. À luz dessas concepções e com o embasamento do que foi experienciado em sala de aula, percebi e ainda percebo que, na localidade de Linha Taquari Mirim, onde se encontra o educandário analisado, as divisões de gênero ainda estão bem demarcadas, limitando as mulheres aos cuidados da casa, dos filhos e o auxílio no preparo, cultivo e colheita na lavoura da família - e essas funções são consideradas como trabalho leve ou de segunda mão. É exceção aquela que não é casada, não tem filhos e/ou desempenha alguma profissão fora do espaço familiar. Junto a isso, visualizo também que, para além do estabelecer pontes entre os livros e os leitores através do seu conhecimento literário e de leitor mais experiente, habilidades essenciais em um mediador, tais como: empatia, escuta ativa - que é diferente de apenas ouvir, capacidade de adaptação - já que a mediação nunca está pronta e acontece na relação com o outro que também tem suas opiniões e se modifica. Visualizo que o mediador, ao fazer conexões entre o eu, o outro e a leitura literária, apresenta realidades que, de outra forma, não estariam acessíveis a muitos jovens.
Resumo em outro idioma: This study, which began with my desire to help young people from my community, through reading literary works, to have a first contact with feminist theories well before the contact I had, only in postgraduate studies, also encompasses the my process of “realizing” that reading mediation is not practiced only with my will and by the act of presenting books to students. At work, I dared, for the first time, amid trial and error, to experience the functions of a professional mediator through the project I called “Young people read the world: gender inequality and its challenges”. I was with a group of young students from the 9th year of elementary school, from the Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Coronel Thomaz Pereira, a school in the town where I live, Linha Taquari Mirim, in the interior of the city of Venâncio Aires, state of Rio Grande do Sul. South, Brazil. Through this project, for ten days, 17 other students and I lived, talked, asked questions, shared and read literary texts of different genres. about what it means to be a woman and what it means to be a man in the place where they live and from my first experience in mediating readings, I describe, throughout the text, the experiences resulting from joint learning, mine and the students. Along with this, I also briefly rescue historical aspects of the school participating in the project, and consequently, of the community where it is located. Suzana Albornoz (2008), Virginia Woolf (2014), Antonio Candido (1995), Silvia Castrillón (2011), Teresa Colomer (2007), Graciela Montes (2020), Michèle Petit (2010), Eliana Yunes (2023), Cecília Bajour (2023) and Felipe Munita (2024) were some of the names that helped to reflect on gender inequality, reading, literature and mediation during this journey. In light of these conceptions and with the basis of what was experienced in the classroom, I realized and still notice that, in the town of Linha Taquari Mirim, where the school analyzed is located, gender divisions are still well defined, limiting women to taking care of the house, children and helping with the preparation, cultivation and harvesting of the family farm - and these functions are considered as light or second hand work. An exception is those who are not married, do not have children and/or work in a profession outside the family space. Along with this, I also see that, in addition to establishing bridges between books and readers through their literary knowledge and that of a more experienced reader, essential skills in a mediator, such as: empathy, active listening – which is different from just listening, ability to adapt – since mediation is never ready and happens in the relationship with others who also have their opinions and change. I visualize that the mediator, by making connections between the self, the other and literary reading, presents realities that would otherwise not be accessible to many young people.
Nota: Inclui bibliografia.
Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul
Curso/Programa: Programa de Pós-Graduação em Letras
Tipo de obra: Tese de Doutorado
Assunto: Compreensão na leitura
Leitura - Estudo e ensino
Educação rural
Professores - Formação
Orientador(es): Fronckowiak, Ângela
Aparece nas coleções:Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado e Doutorado

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