Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11624/4203
Autor(es): Lamb, Iama Verdi
Título: Análise da prevalência das doenças infecciosas na população em situação de rua : desafios das equipes do consultório na rua no acesso ao cuidado à saúde.
Data do documento: 2025
Resumo: A saúde é um direito social, mas a população em situação de rua (PSR) enfrenta barreiras de acesso, estigmas e altas taxas de doenças como HIV (human immunodeficiency vírus), hepatites, sífilis e tuberculose (TB). O objetivo geral da minha dissertação foi analisar a prevalência das doenças infecciosas emergentes na PSR e os desafios das equipes do consultório de rua para garantir o acesso às ações de cuidado à saúde. Manuscrito 1: Este estudo objetivou mapear a literatura sobre a prevalência, os estigmas e as barreiras ao tratamento das doenças infecciosas de HIV, sífilis, hepatites e tuberculose na população em situação de rua (PSR) e, as políticas públicas necessárias para diminuir os impactos, com intervenções de saúde direcionadas a esse grupo vulnerável. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed, Springer Link, Taylor & Francis Online, Google Scholar, Scielo e Wiley Online Library. Foi evidenciado uma alta prevalência dessas doenças em maiores que 18 anos, mulheres, usuários de drogas, transgêneros e indivíduos com histórico de encarceramento. A PSR enfrenta barreiras no combate a doenças infecciosas devido à instabilidade habitacional, uso de drogas e acesso limitado aos serviços de saúde. Políticas públicas como estratégias de estabilidade habitacional, vacinação direcionada, rastreamento e tratamento precoce, podem melhorar o acesso à saúde e reduzir as desigualdades. Conclui-se que as intervenções direcionadas e políticas de saúde pública inclusivas são essenciais para abordar essas questões e promover resultados de saúde equitativos. Manuscrito 2: A PSR enfrenta extrema pobreza, falta de moradia, sérios problemas de saúde, dificuldades no acesso aos cuidados médicos e discriminação. Este estudo objetivou analisar a prevalência de doenças infecciosas, sintomas, comportamentos de risco, condições de trabalho e acesso a serviços de saúde entre a PSR, considerando o histórico de privação de liberdade, em um município do Rio Grande do Sul, Brasil. Trata-se de um estudo transversal, exploratório e descritivo realizado com as PSR no período de setembro a outubro de 2024. A coleta de dados ocorreu no Programa Consultório de Rua, para analisar doenças infecciosas e desafios da equipe, com abordagens presenciais e sigilosas. Os dados mostram que as PSR analisadas possuem baixa variabilidade etária, alta prevalência de consumo de substâncias e desafios no acesso a documentos e trabalho. Doenças infecciosas, como HIV (14,9%; p <0,001) e sífilis (46%; p = 0,548), foram identificadas. A cicatriz da BCG e o tratamento para tuberculose não apresentaram relação estatística com os sintomas de tosse, falta de ar, perda de peso, diminuição do apetite, febre e cuspir sangue. A tosse foi mais comum entre os privados de liberdade (p = 0,004). A PSR apresenta alta vulnerabilidade, com prevalência de HIV e sífilis. Os dados reforçam a importância do Consultório na Rua na atenção integral e acesso ao cuidado em saúde. Manuscrito 3: Este estudo objetivou mapear a literatura sobre as estratégias e desafios enfrentados pelas equipes de Consultório na Rua no Brasil. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com pesquisa nas bases de dados Scielo e Google Scholar, em trabalhos publicados dentro de um período de 5 anos (2019-2024). As equipes do Consultório na Rua enfrentam desafios como a baixa escolaridade e dependência química dos indivíduos atendidos, que complicam a reintegração e o tratamento. A falta de recursos e infraestrutura inadequada comprometem a continuidade do atendimento, enquanto a resistência ao tratamento e a dificuldade em manter a adesão são problemas recorrentes. As estratégias de abordagem e inclusão social variam desde suporte básico e atividades socioeducativas até a educação e prevenção, com algumas equipes utilizando tecnologias e adaptando-se às condições locais. O estudo revelou que, embora haja avanços na assistência à população em situação de rua, persistem desafios significativos, como a falta de recursos, estigma social e dificuldades logísticas. Ressalta a necessidade de abordagens integradas e políticas públicas mais eficazes para garantir um atendimento mais inclusivo e equitativo.
Resumo em outro idioma: Healthcare is a social right, but the homeless population (PSR) faces access barriers, stigma, and high rates of diseases such as HIV (human immunodeficiency virus), hepatitis, syphilis, and tuberculosis (TB). The overall objective of my dissertation was to analyze the prevalence of emerging infectious diseases among the homeless and the challenges faced by street clinic teams in ensuring access to healthcare. Manuscript 1: This study aimed to map the literature on the prevalence, stigma, and barriers to treatment of infectious diseases such as HIV, syphilis, hepatitis, and tuberculosis among the homeless population (PSR), and the public policies needed to mitigate their impacts with health interventions targeted at this vulnerable group. This is an integrative literature review, with searches in PubMed, Springer Link, Taylor & Francis Online, Google Scholar, Scielo, and Wiley Online Library. A high prevalence of these diseases was found in individuals over 18 years of age, women, drug users, transgender individuals, and individuals with a history of incarceration. Homeless people face barriers to combating infectious diseases due to housing instability, drug use, and limited access to health services. Public policies such as housing stability strategies, targeted vaccination, screening, and early treatment can improve access to health care and reduce inequalities. It is concluded that targeted interventions and inclusive public health policies are essential to address these issues and promote equitable health outcomes. Manuscript 2: Homeless people face extreme poverty, homelessness, serious health problems, difficulties in accessing medical care, and discrimination. This study aimed to analyze the prevalence of infectious diseases, symptoms, risk behaviors, working conditions, and access to health services among homeless people, considering their history of deprivation of liberty, in a municipality in Rio Grande do Sul, Brazil. This is a cross-sectional, exploratory, and descriptive study conducted with homeless people from September to October 2024. Data collection took place at the Street Clinic Program to analyze infectious diseases and staff challenges, using in-person and confidential approaches. The data show that the homeless people analyzed have low age variability, a high prevalence of substance use, and challenges in accessing documents and work. Infectious diseases such as HIV (14.9%; p < 0.001) and syphilis (46%; p = 0.548) were identified. The BCG scar and tuberculosis treatment showed no statistical association with symptoms of cough, shortness of breath, weight loss, decreased appetite, fever, or spitting up blood. Cough was more common among those deprived of liberty (p = 0.004). Homeless people are highly vulnerable, with a high prevalence of HIV and syphilis. The data reinforce the importance of the Street Clinic in providing comprehensive care and access to healthcare. Manuscript 3: This study aimed to map the literature on the strategies and challenges faced by Street Outreach teams in Brazil. This is an integrative literature review, with research in the Scielo and Google Scholar databases, covering papers published within a five-year period (2019-2024). Street Outreach teams face challenges such as low educational levels and chemical dependency among the individuals they serve, which complicate reintegration and treatment. Lack of resources and inadequate infrastructure compromise continuity of care, while resistance to treatment and difficulty maintaining adherence are recurring problems. Social outreach and inclusion strategies range from basic support and socio-educational activities to education and prevention, with some teams utilizing technologies and adapting to local conditions. The study revealed that, although there have been advances in assisting the homeless population, significant challenges persist, such as lack of resources, social stigma, and logistical difficulties. It highlights the need for integrated approaches and more effective public policies to ensure more inclusive and equitable care.
Nota: Inclui bibliografia.
Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul
Curso/Programa: Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde
Tipo de obra: Dissertação de Mestrado
Assunto: Doenças transmissíveis
Educação em saúde
Pessoas desabrigadas
Orientador(es): Renner, Jane Dagmar Pollo
Coorientador(es): Possuelo, Lia Gonçalves
Aparece nas coleções:Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde - Mestrado e Doutorado

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