Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11624/4269
Autor(es): Fiorezi, Juliane Neves
Título: Ansiedade em universitários : fatores desencadeadores, instabilidade genômica e a melolística como intervenção não farmacológica.
Data do documento: 2026
Protocolo CEP: 6.768.735 - 16/04/24
Resumo: Introdução: Estudantes universitários estão frequentemente expostos a estressores acadêmicos, sociais e emocionais que podem contribuir para o desenvolvimento ou intensificação de sintomas de ansiedade. Essas condições psicológicas são reconhecidas por influenciar sistemas biológicos, incluindo respostas imunológicas e a estabilidade genômica. Nesse contexto, intervenções não farmacológicas têm ganhado destaque por seu potencial de modular biomarcadores relacionados ao estresse. A melolística, abordagem terapêutica baseada na harmonização musical e emocional, emerge como estratégia promissora para o manejo do estresse, influenciando também marcadores de instabilidade genômica. O presente estudo apresenta caráter inovador e original ao buscar alternativas de intervenção não farmacológica para a ansiedade e ao abordar a melolística como medida complementar e integrativa associada a outras técnicas de apoio a esses indivíduos. Além disso, revela novas associações entre biomarcadores imunológicos e genômicos relacionados a diferentes sintomas manifestos de ansiedade. Objetivo geral: Investigar os níveis de ansiedade em estudantes universitários, relacionando-os a parâmetros comportamentais, biomarcadores de estresse, como cortisol salivar e imunoglobulina A salivar, bem como a possíveis alterações em marcadores de dano ao DNA, defeitos citocinéticos e morte celular, além de avaliar os efeitos da intervenção melolística sobre esses parâmetros. Capítulo 1: Este capítulo busca identificar os fatores que contribuem para a manifestação da ansiedade em jovens universitários, apontando múltiplos fatores desencadeantes, como aspectos psicológicos, sociais, emocionais e acadêmicos. Destaca ainda a importância de estratégias integradas de enfrentamento, como rotinas saudáveis, suporte terapêutico e programas institucionais de bem-estar. A compreensão desses elementos é essencial para promover ambientes acadêmicos mais equilibrados e fomentar o bem-estar integral dos estudantes. Manuscrito 1: Foram avaliados 51 jovens universitários (idade média: 21,56±2,65 anos; prevalência do sexo feminino: 66,7%). Os resultados revelaram maior frequência de células micronucleadas (p=0,031), indicativas de dano ao DNA, e de células picnóticas (p=0,030), indicativas de morte celular apoptótica, em estudantes universitários com ansiedade moderada ou grave. Análises de regressão bruta demonstraram associação entre sintomas moderados ou graves no GAD-7 e a frequência de células micronucleadas (p=0,023), células binucleadas (p=0,044) e células picnóticas (p=0,037). Após ajuste para covariáveis (sexo, tabagismo e consumo de álcool), a associação permaneceu significativa para a frequência de células micronucleadas (p=0,035). O escore contínuo do GAD-7 correlacionou-se com a frequência de micronúcleos (rho=0,314; p=0,031), sendo essa correlação fortalecida nos modelos ajustados (rho=0,342; p=0,025). A análise específica dos itens do GAD-7 revelou correlações moderadas entre sintomas específicos e biomarcadores, incluindo dificuldade para relaxar (micronúcleos, p=0,011), inquietação (cortisol, p=0,027; micronúcleos, p=0,009; células com cromatina condensada, p=0,044), preocupação excessiva (brotos nucleares, p=0,027; células picnóticas, p=0,012; micronúcleos, p=0,034; brotos nucleares, p=0,030; brotos nucleares, p=0,021) e incapacidade de interromper a preocupação (brotos nucleares, p=0,021). Manuscrito 2: Após a intervenção melolística, observaram-se reduções estatisticamente significativas nos escores de ansiedade (GAD-7 e DASS-21; p<0,001), depressão (p<0,001) e redução expressiva de sintomas moderados e graves de ansiedade, bem como de sintomas de depressão, estresse e ansiedade (p<0,01). Houve melhora na percepção autorreferida de saúde (p=0,027) e redução do estresse percebido com dificuldade de manejo (p<0,003). Os níveis de cortisol apresentaram discreto aumento (p=0,039), sem alterações significativas na IgA salivar (p=0,332). Não foram observadas diferenças significativas nos marcadores de dano ao DNA (micronúcleos, p=0,080; brotamento nuclear, p=0,285). Considerações finais: Os achados demonstram que a ansiedade em jovens universitários é multifatorial, influenciada por aspectos psicológicos, sociais, emocionais e acadêmicos, reforçando a necessidade de estratégias integradas de enfrentamento no contexto universitário. Observou-se ainda que, embora os níveis globais de cortisol e IgA salivar não tenham diferido entre os grupos de gravidade da ansiedade, sintomas emocionais específicos apresentaram correlações relevantes com biomarcadores de estresse, bem como com marcadores de dano ao DNA e morte celular. A ansiedade moderada a grave associou-se ao aumento de marcadores de dano genético, sugerindo que o sofrimento emocional pode resultar em alterações biológicas mensuráveis e que sintomas específicos de ansiedade se correlacionam com biomarcadores de estresse e dano celular. Ademais, a intervenção melolística demonstrou efeitos positivos significativos na redução de sintomas de ansiedade, depressão e estresse, com melhora na percepção de saúde e na capacidade de manejo do estresse, sem influenciar marcadores de instabilidade genômica. Os resultados reforçam a importância de considerar biomarcadores biológicos como ferramentas complementares na avaliação dos impactos da ansiedade sobre a saúde de jovens universitários, contribuindo para estratégias de prevenção e intervenção mais integradas.
Resumo em outro idioma: Introduction: University students are frequently exposed to academic, social, and emotional stressors that may contribute to the development or intensification of anxiety symptoms. These psychological conditions are known to influence biological systems, including immune responses and genomic stability. In this context, non-pharmacological interventions have gained attention for their potential to modulate stress-related biomarkers. Melolistic, a therapeutic approach based on musical and emotional harmonization, has emerged as a promising strategy for stress management, also influencing markers of genomic instability. The present study demonstrates an innovative and original character by exploring non-pharmacological intervention alternatives for anxiety and examining the melolistic approach as a complementary and integrative measure alongside other supportive techniques for these individuals. Furthermore, it reveals new associations between immunological and genomic biomarkers and the various symptoms manifested in anxiety. General Objective: To review and investigate anxiety levels in university students, correlating them with stress biomarkers such as salivary cortisol, immunoglobulin A, DNA damage, and other cellular alterations, as well as to evaluate the effects of melolistic intervention on these parameters. Chapter 1: This chapter aims to identify the factors contributing to the manifestation of anxiety in university students, highlighting multiple triggering elements such as psychological, social, emotional, and academic factors. It also emphasizes the importance of integrated coping strategies, including healthy routines, therapeutic support, and institutional wellness programs. Understanding these elements is essential to promote more balanced academic environments and support students’ overall well-being. Manuscript 1: A total of 51 university students were evaluated (mean age: 21.56±2.65 years old; female prevalence: 66.7%). The results revealed that although overall levels of salivary cortisol (p=0.799) and IgA (p=0.593) did not differ significantly among anxiety severity groups, specific emotional symptoms were associated with measurable biological responses. Moderate to severe anxiety was linked to increased markers of DNA damage, such as micronuclei (p=0.030), and apoptotic indicators, such as pyknotic cells (p=0.049). Additionally, distinct symptoms including panic, restlessness, and irritability showed moderate to strong correlations with stress biomarkers and nuclear alterations (p<0.05). Manuscript 2: The melolistic intervention resulted in statistically significant reductions in anxiety scores (GAD-7 and DASS-21; p<0.001), depression (p<0.001), with a notable decrease in moderate and severe symptoms of anxiety, depression, and stress (p<0.01). There was an improvement in self-reported health perception (p=0.027) and a reduction in perceived stress levels with difficulty in coping (p<0.003). Cortisol levels increased slightly (p=0.039), with no significant changes in salivary IgA (p=0.332). No significant differences were observed in DNA damage markers (micronuclei, p=0.080; nuclear budding, p=0.285). Final Considerations: The findings highlight that anxiety among university students is multifactorial, influenced by psychological, social, emotional, and academic aspects, reinforcing the need for integrated coping strategies in the university context. It was also observed that although overall levels of salivary cortisol and IgA did not differ among anxiety severity groups, specific emotional symptoms showed relevant correlations with stress biomarkers, DNA damage, and cell death. Moderate to severe anxiety was associated with increased markers of DNA damage and apoptosis indicators, suggesting that emotional distress may result in measurable biological changes. Furthermore, the melolistic intervention demonstrated significant positive effects in reducing symptoms of anxiety, depression, and stress, improving health perception and stress management capacity, without influencing markers of genomic instability. The results further reinforce the importance of considering biological markers as complementary tools in assessing the impacts of anxiety on the health of university students, thereby contributing to more integrated prevention and intervention strategies.
Nota: Inclui bibliografia.
Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul
Curso/Programa: Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde
Tipo de obra: Tese de Doutorado
Assunto: Ansiedade
Estudantes universitários
Indicadores biológicos
Orientador(es): Franke, Silvia Isabel Rech
Coorientador(es): Molz, Patrícia
Aparece nas coleções:Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde - Mestrado e Doutorado

Arquivos associados a este item:
Arquivo TamanhoFormato 
Juliane Neves Fiorezi.pdf7.79 MBAdobe PDFVisualizar/Abrir


Este item está licenciado sob uma Licença Creative Commons Creative Commons