Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/11624/4319
Autor(es): Bittencourt, Ananda
Título: Mulheres no agronegócio : uma análise da construção da subjetividade feminina no agronegócio da fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
Data do documento: 2026
Resumo: Esta dissertação analisa como a maior participação das mulheres no agronegócio condiciona os processos de formação da subjetividade feminina, tomando como recorte empírico as experiências de mulheres atuantes no agronegócio da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Parte-se do reconhecimento de que, embora o agronegócio represente um dos principais setores da economia brasileira e apresente crescente inserção feminina em diferentes espaços de atuação, permanece condicionado por estruturas históricas de desigualdade de gênero associadas à cultura patriarcal, à divisão sexual do trabalho e à persistência de relações hierárquicas de poder. Nesse contexto, a dissertação propõe uma análise que problematiza os significados históricos e socioculturais da ampliação da participação feminina em um setor tradicionalmente masculinizado, buscando compreender de que forma essas mudanças repercutem na construção das identidades, dos espaços de reconhecimento e das formas de subjetivação das mulheres. Sob o ponto de vista teórico-metodológico, o estudo articula contribuições da sociologia relacional e das epistemologias feministas, compreendendo as relações sociais como processos historicamente construídos, nos quais estrutura e agência se constituem mutuamente. Metodologicamente, a pesquisa possui abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e trabalho de campo realizado por meio de entrevistas em profundidade com oito mulheres atuantes em diferentes segmentos do agronegócio da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Os dados produzidos foram analisados a partir de referenciais da análise de discurso, considerando as condições históricas, sociais e culturais de produção das narrativas. Os resultados indicam que a ampliação da participação feminina no agronegócio constitui um processo complexo, marcado simultaneamente por permanências e transformações. Observa-se maior inserção das mulheres em atividades produtivas, espaços de gestão, liderança e tomada de decisão, ampliando possibilidades de reconhecimento social, autonomia econômica e afirmação identitária. Entretanto, tais mudanças não significam a superação automática das desigualdades de gênero, uma vez que persistem mecanismos de hierarquização simbólica, estereótipos associados ao tradicionalismo gaúcho e expectativas sociais que continuam vinculando autoridade, liderança e protagonismo produtivo à figura masculina. Conclui-se que a construção da subjetividade feminina no agronegócio ocorre em meio a relações de poder, negociações simbólicas e disputas por reconhecimento, configurando trajetórias marcadas por ambivalências, tensionamentos e estratégias diversas de atuação. Assim, a maior participação feminina no setor não produz rupturas lineares com estruturas tradicionais, mas desencadeia processos contraditórios de reprodução e transformação das relações de gênero, evidenciando a importância de análises que articulem dimensões estruturais, territoriais e subjetivas na compreensão das experiências das mulheres no meio rural contemporâneo.
Resumo em outro idioma: This dissertation analyzes how the increasing participation of women in agribusiness shapes the processes of female subjectivity formation, taking as its empirical focus the experiences of women working in agribusiness in the Western Frontier region of Rio Grande do Sul. The study starts from the recognition that, although agribusiness represents one of the main sectors of the Brazilian economy and has experienced growing female participation in different areas of activity, it remains conditioned by historical structures of gender inequality associated with patriarchal culture, the sexual division of labor, and the persistence of hierarchical power relations. In this context, the dissertation proposes an analysis that problematizes the historical and sociocultural meanings of expanding female participation in a traditionally masculinized sector, seeking to understand how these changes affect the construction of identities, spaces of recognition, and forms of women’s subjectivation. From a theoretical and methodological perspective, the study articulates contributions from relational sociology and feminist epistemologies, understanding social relations as historically constructed processes in which structure and agency mutually constitute one another. Methodologically, the research adopts a qualitative approach based on bibliographic review and fieldwork conducted through in depth interviews with eight women working in different segments of agribusiness in the Western Frontier region of Rio Grande do Sul. The data produced were analyzed based on discourse analysis frameworks, considering the historical, social, and cultural conditions underlying the production of the narratives. The results indicate that the expansion of women’s participation in agribusiness constitutes a complex process marked simultaneously by continuities and transformations. Greater female participation is observed in productive activities, management spaces, leadership positions, and decision making processes, expanding possibilities for social recognition, economic autonomy, and identity affirmation. However, such changes do not automatically imply the overcoming of gender inequalities, since mechanisms of symbolic hierarchization, stereotypes associated with gaucho traditionalism, and social expectations that continue to associate authority, leadership, and productive protagonism with masculinity remain persistent. It is concluded that the construction of female subjectivity in agribusiness occurs amid power relations, symbolic negotiations, and struggles for recognition, shaping trajectories marked by ambivalences, tensions, and diverse strategies of action. Therefore, the greater participation of women in the sector does not produce linear ruptures with traditional structures but rather triggers contradictory processes of reproduction and transformation of gender relations, highlighting the importance of analyses that articulate structural, territorial, and subjective dimensions in understanding women’s experiences in contemporary rural contexts.
Nota: Inclui bibliografia.
Instituição: Universidade de Santa Cruz do Sul
Curso/Programa: Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional
Tipo de obra: Dissertação de Mestrado
Assunto: Agroindústria
Mulheres na agricultura
Orientador(es): Cadoná, Marco André
Aparece nas coleções:Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Mestrado e Doutorado

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