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http://hdl.handle.net/11624/4334| Autor(es): | Ozório, Roseana Isabel Vogt |
| Título: | A construção social do assédio moral organizacional : uma análise a partir da experiência de trabalhadoras e trabalhadores do setor calçadista de Candelária (RS). |
| Data do documento: | 2026 |
| Resumo: | Esta dissertação de mestrado analisa o fenômeno do assédio moral organizacional a partir das experiências de trabalhadoras e trabalhadores da indústria calçadista de Candelária, município localizado no Vale do Rio Pardo/RS. O estudo parte da compreensão de que o assédio moral não se restringe a condutas individuais abusivas, mas constitui um processo social e historicamente construído, vinculado às formas contemporâneas de organização capitalista do trabalho. A pesquisa articula reflexão teórica e investigação empírica. Do ponto de vista teórico, mobiliza contribuições da sociologia da experiência e da história social do trabalho, especialmente a perspectiva de Edward Thompson, para compreender como os(as) trabalhadores(as) interpretam e atribuem significados às suas vivências. O assédio moral organizacional é analisado como prática institucionalizada de violência, sustentada por estratégias gerenciais que intensificam ritmos de trabalho, ampliam formas de controle e vigilância, impõem metas abusivas e naturalizam culturas organizacionais orientadas pelo estresse permanente. Do ponto de vista empírico, a investigação baseou se em pesquisa bibliográfica, análise de dados secundários (IBGE, CAGED, MTE) e entrevistas semiestruturadas com trabalhadoras e trabalhadores da indústria calçadista de Candelária. As entrevistas foram organizadas em torno de eixos temáticos: dados sociodemográficos, experiências de trabalho e relações cotidianas, processos produtivos e condutas organizacionais, além de reações, redes de suporte e práticas de cuidado. A análise dos relatos evidenciou situações recorrentes de humilhação, constrangimento, pressão excessiva, adoecimento físico e psíquico, bem como práticas gerenciais marcadas por violência organizacional. Os resultados apontam que o assédio moral organizacional se manifesta como estratégia de gestão voltada ao controle e à intensificação da produtividade, ultrapassando conflitos interpessoais isolados. Trabalhadoras e trabalhadores relatam experiências de advertências arbitrárias, vigilância constante, ausência de reconhecimento profissional e naturalização de práticas abusivas. Ao mesmo tempo, elaboram interpretações próprias sobre essas vivências, mobilizando valores de respeito, reciprocidade e justiça, além de redes de apoio familiares, comunitárias e religiosas. Essas mediações culturais revelam que o sofrimento laboral não é apenas imposto, mas também interpretado e ressignificado, dando origem a formas de resistência, proteção e cuidado. A dissertação evidencia que o assédio moral organizacional, embora invisibilizado e naturalizado em muitos contextos, constitui uma violação sistemática da dignidade humana e dos direitos trabalhistas. Ao enfatizar as experiências concretas de trabalhadoras e trabalhadores, o estudo contribui para ampliar a compreensão acadêmica sobre o tema, deslocando o foco das condutas individuais para as racionalidades organizacionais que sustentam práticas de violência. Além disso, insere-se no campo do Desenvolvimento Regional ao destacar como transformações globais nas formas de organização do trabalho se manifestam em contextos territoriais específicos, assumindo particularidades relacionadas às dinâmicas econômicas, sociais e culturais locais. Conclui-se que compreender o assédio moral organizacional exige considerar tanto os condicionamentos estruturais do capitalismo contemporâneo quanto os processos de significação elaborados pelos sujeitos. A análise demonstra que trabalhadoras e trabalhadores não apenas sofrem os efeitos das práticas organizacionais de violência, mas também produzem interpretações, estratégias de enfrentamento e formas de resistência que podem contribuir para a construção de alternativas de proteção e cuidado. Nesse sentido, a dissertação reafirma a importância de políticas públicas, ações sindicais e iniciativas institucionais voltadas à prevenção e ao combate do assédio moral organizacional, reconhecendo-o como problema coletivo e estrutural do mundo do trabalho. |
| Resumo em outro idioma: | This master’s dissertation analyzes the phenomenon of organizational moral harassment based on the experiences of female and male workers in the footwear industry of Candelária, a municipality located in the Vale do Rio Pardo/RS. The study is grounded in the understanding that moral harassment is not limited to abusive individual behaviors, but rather constitutes a socially and historically constructed process, linked to contemporary forms of capitalist organization of labor. The research combines theoretical reflection and empirical investigation. From a theoretical perspective, it draws on contributions from the sociology of experience and the social history of labor, especially Edward Thompson’s perspective, to understand how workers interpret and assign meaning to their experiences. Organizational moral harassment is analyzed as an institutionalized practice of violence, sustained by managerial strategies that intensify work rhythms, expand forms of control and surveillance, impose abusive targets, and naturalize organizational cultures oriented toward permanent stress. From an empirical perspective, the investigation was based on bibliographic research, analysis of secondary data (IBGE, CAGED, MTE), and semi-structured interviews with workers from the footwear industry in Candelária. The interviews were organized around thematic axes: sociodemographic data, work experiences and everyday relations, production processes and organizational conduct, as well as reactions, support networks, and care practices. The analysis of the narratives revealed recurrent situations of humiliation, constraint, excessive pressure, physical and psychological illness, as well as managerial practices marked by organizational violence. The results indicate that organizational moral harassment manifests itself as a management strategy aimed at control and productivity intensification, going beyond isolated interpersonal conflicts. Workers report experiences of arbitrary warnings, constant surveillance, lack of professional recognition, and the normalization of abusive practices. At the same time, they develop their own interpretations of these experiences, mobilizing values of respect, reciprocity, and justice, in addition to family, community, and religious support networks. These cultural mediations reveal that labor suffering is not only imposed but also interpreted and re signified, giving rise to forms of resistance, protection, and care. The dissertation demonstrates that organizational moral harassment, although often rendered invisible and naturalized in many contexts, constitutes a systematic violation of human dignity and labor rights. By emphasizing the concrete experiences of workers, the study contributes to expanding academic understanding of the subject, shifting the focus from individual behaviors to organizational rationalities that sustain violent practices. Furthermore, it situates itself within the field of Regional Development by highlighting how global transformations in labor organization manifest in specific territorial contexts, assuming particularities related to local economic, social, and cultural dynamics. It concludes that understanding organizational moral harassment requires considering both the structural constraints of contemporary capitalism and the processes of meaning-making elaborated by the subjects. The analysis shows that workers not only suffer the effects of organizational practices of violence but also produce interpretations, coping strategies, and forms of resistance that may contribute to building alternatives of protection and care. In this sense, the dissertation reaffirms the importance of public policies, union actions, and institutional initiatives aimed at preventing and combating organizational moral harassment, recognizing it as a collective and structural problem of the world of work. |
| Nota: | Inclui bibliografia. |
| Instituição: | Universidade de Santa Cruz do Sul |
| Curso/Programa: | Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional |
| Tipo de obra: | Dissertação de Mestrado |
| Assunto: | Assédio Desenvolvimento regional Trabalhadores da indústria de calçados |
| Orientador(es): | Cadoná, Marco André |
| Aparece nas coleções: | Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Mestrado e Doutorado |
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